sábado, 24 de outubro de 2009

SEMANA DO PLANEJAMENTO FAMILIAR - FORMAÇÃO 4

“Os princípios doutrinários da Humanae Vitae” (Pe. José Rafael Duran)



Paulo VI sempre teve uma postura muito dialogal com o mundo em todos o seus escritos e o faz também na Humanae Vitae (HV): ela está dentro de uma perspectiva muito clara sobre a vida e a conjugalidade, que são os princípios doutrinários da encíclica. Para compreendermos bem o que isso significa é preciso sensibilizar-nos com o conteúdo da HV.
O amor conjugal é humano, singular, exclusivo sem ser particularizante, fiel (assim como Deus é fiel) e fecundo, isto é, uma experiência aberta à vida. Há 41 anos, a HV escandalizou (e continua escandalizando) o mundo porque veio com a proposta de fidelidade no amor singular e experiência conjugal aberta para a vida.
O contexto da HV é necessário para compreender essas relações:
1968, três anos após o Concílio Vaticano II com sua eclesiologia nova: algo determinando para o surgimento da HV, especialmente pela Lumem Gentium e Gaudium ET Spes. 1968 foi um ano controvertido, marcado por estados totalitários, pelo surgimento de novas tecnologias que questionam a vida e amor, pela busca do “mundo livre”, a mentalidade do “é proibido proibir”, paz com anarquia, novas correntes teológicas... A vida humana foi questionada e dentro dela o amor e especialmente o amor conjugal.
Dentro desse panorama da época e do que temos hoje, podemos nos questionar:
- A HV é infalível? Sua infalibilidade atinge os corações dos cristãos?
- Por que o Magistério precisou definir alguns pontos essenciais sobre a vida conjugal?
- Existem fundamentos bíblicos para tal?
- Como ela nos remete a Gaudium et Spes?
A HV é clara, acessível, familiar. A Igreja apresenta um caminho a seguir para os casais e apresenta aos pastores um rumo a tomar. Apresenta a fidelidade e o irrenunciável valor da indissolubilidade conjugal.
O histórico que precede a HV pode ser definido como o seguinte, dos pontos de vista teológicos e dogmáticos:
- Desde o Concílio Fiorentino (1438-1445), lança a bula “Pro Armenis”, declara abertamente sua preocupação com os nascituros e o direito à vida. Cita Tertuliano: “Niguém pode deixar de ser aquilo que é e será.”
- O Concílio Tridentino (1545–1563) em seus documentos destaca cinco pontos fundamentais:
1. Todos os seres humanos são feitos á imagem e semelhança do Criador. Portanto, somos criaturas em nossa substância e essência.
2. Estamos em íntima relação com o Criador, o que nos diferencia das demais criaturas como pessoas.
3. A experiência de ser pessoa para com o Criador nos dá o direito de nascer, o que não pode ser por ninguém impedido.
4. Todos têm o direito de nascer e serem amparados.
5. Essa tutela deve ser responsabilidade dos familiares.
- O Papa Sisto V: escreve sobre a impotência masculina e o uso de veneno contra os nascituros.
- O Papa Gregório XIV: escreve contra o que impedem a fecundação no útero.
- Leão XIII: resgata a origem, a finalidade e grandeza do matrimônio
- Casti Conubii (1931), de Pio XI, dentro do seu contexto (e não da sua teologia), pode ser a antecessora da HV. Pio XI situa a encíclica diante de duas preocupações: o divórcio e os filhos. Mostra o valor da indissolubilidade.

A CONJUGALIDADE NA HV:
Podemos rever o acolhimento aos casais em segunda união, mas não podemos perder o foco. Não podemos perder esse grande valor, especialmente investindo na preparação ao matrimônio, que é a referência e o amor de Cristo pela Igreja (Ef 5,32; Gn 2,24), que é um amor que não abandona. A indissolubilidade não é ocasional, mas faz parte da nossa relação com Deus, é a base do amor conjugal, da vida íntima dos casais e do bom exemplo que os casais dão aos seus filhos. Um casal que compreenda vivencie e assuma a indissolubilidade compreenderá que Cristo estabeleceu conosco uma aliança eterna.
A encíclica também trata do bem da fé: a mútua fidelidade e a unidade no contexto matrimonial. Só aquele que tem fé, que acredita em Cristo e na Igreja é que pode compreender o que é a indissolubilidade e bem viver a beleza do matrimônio. Quem não tem fé, viverá o matrimônio apenas como um contrato. Matrimônios sem fé, nunca deveriam ter existido. Sem a experiência de Deus, um homem e uma mulher viverão qualquer tipo de relação menos a da perfeita unidade. A unidade do casal é absoluta e irrenunciável.
Quais são as vantagens da indissolubilidade dentro do princípio doutrinário?
1. A estabilidade absoluta do vínculo é sinal de perenidade
2. É ela que dá alicerces para a vivência da castidade, sólido baluarte de defesa contra as tentações.
3. Concorre para aumentar a dignidade dos cônjuges como pessoas pelo mútuo auxílio e cooperação na busca dos bens mais altos. Se a esposa não for digna do marido e o marido não for digno à esposa, eles poderão viver um contrato, mas não uma experiência conjugal.

A VIDA NA HV:
O primeiro bem do casamento são os filhos. “Crescer”, no sentido bíblico, é dar a vida. Todos os outros povos tinham medo dos israelitas pela velocidade e generosidade com que se multiplicavam. O Rhuá divino estava no meio do povo de Israel, comunicando vida. A ordem de Deus para a procriação é que todos o honrem, o conheçam, o amem e gozem o céu (I Ts 5,14). Que os casais tenham a coragem de dizer: “Queremos casar para dar a vida nova a este mundo!”
É fundamental citar também a Gaudium et Spes. A sua atualidade mostra a todos nós como a comunidade dos fiéis de vê se encarnar no mundo de hoje, com especial destaque para os números 13, 16 e 22. O Capítulo I promove a dignidade do matrimônio e da família. Ele elabora em seis pontos o que vamos resumir em três:
- A salvação da pessoa: o embrião é pessoa humana, o anencéfalo é pessoa humana, o deficiente é pessoa humana, cada um de nós é pessoa humana. A salvação da sociedade deve estar ligada ao bem-estar da comunidade conjugal. Ela passa necessariamente pelo encontro dos cônjuges porque é daí que vem a vida da pessoa. Não podemos falar de um Brasil melhor sem bons cônjuges. Eles nunca deixarão de ser um ponto essencial na história da salvação. Não há um só pedaço da historia da salvação em que não apareça a figura conjugal, sustentada pelo amor de Deus.
- Essa realidade divina é obscurecida e ameaçada pela poligamia e pelo divórcio. Muitos ainda não compreenderam a verdadeira proposta do amor conjugal.
- Promover a dignidade do matrimônio. O matrimônio não é cruz, nem loteria, mas ua opção a uma experiência transcendental. Por isso, tem bases divinas a partir do termo aliança
A santidade do matrimônio e da família aparecem na GS e na HV (1 a 6). Mostram como os cônjuges devem viver ao lado dos seus filhos as experiências:
- da santidade
- do serviço
- da indissolubilidade
- da consagração conjugal
- do testemunho de vida na educação dos filhos
Deus, sendo fiel, conta conosco que somos infiéis. Ele nos acolhe e ao fazê-lo também nos convida à acolhida ao seu projeto. A HV mantém a ordem clara da vida e do bem da prole. A procriação regulada é um problema moral. Não nos esqueçamos de que a vida é um bem inalienável.
Como relfexão final, sugerimos a leitura da HV 14.


(Notas dos assessores Ronaldo e Tatiana)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

SEMANA DO PLANEJAMENTO FAMILIAR - FORMAÇÃO 3

Métodos Contraceptivos x Planejamento natural da Família (D. Antônio Augusto Dias Duarte)

A Igreja é perita em humanidade e muito do progresso que ela já conseguiu foi graças a isso. E ao passo de Deus de Deus (e não ao dos homens), ela anuncia Deus feito homem e, a partir desse referencial, anuncia ao homem o que é ser homem. Devemos ter muito orgulho de ser Igreja que é esta mãe que nos gerou para Deus. Devemos mostrar aos outros a beleza da nossa mãe. E não supervalorizar os seus defeitos (que, de fato, não são propriamente da Igreja, mas nossos), pois essa atitude não faz bem nem a ela e nem á humanidade.
Não vivemos num mundo ascético. Somos filhos da nossa época e herdeiros das épocas passadas. Além de sermos filhos da Igreja, somos herdeiros das seguintes correntes que deixam em nossa mentalidade marcas bastante profundas:
1) Iluminismo – damos muito valor á nossa própria inteligência, por isso, achamos que temos sempre razão.
2) Positivismo – quando se exalta a razão, a verdade predominante é a científica, ou seja, só tem valor aquilo que pode ser comprovado por nossa inteligência prodigiosa.
3) Idealismo – a razão deve ser a determinação dos nossos atos. Portanto, o que eu penso é o ideal.
4) Marxismo – prega um regime materialista e ateu, já que, acima da razão nada mais existe.
Todas essas filosofias geraram nos seres humanos um processo de autonomia diante...
... da fé (Iluminismo),
... da ética (Positivismo),
... da verdade (Idealismo)
... e de Deus (Marxismo)
A Igreja não ficou imune. A Teologia da Libertação foi um exemplo dessas influências. Precisamos ter bem claro de que a consciência, quando bem formada, pode fornecer boas regras para a ação humana, mas a regra absoluta é Deus! Ele é a verdadeira referência!
O vértice dessa herança é a absolutização do ser humano (“Sereis como deuses...”). O homem passa a ser o criador. Ele pensa ser o único ator e espectador dos seus ator, mas, na verdade, é usurpador do poder de Deus.
Nenhum de nós está igualmente imunizado contra esses pensamentos. Somos mais ou menos atingidos pelo “Tsunami” da civilização que ataca principalmente a família, e mais ainda, o seu núcleo: a aliança matrimonial.
Uma aliança divina e humana em que o homem se compromete com a mulher, a mulher com o homem e os dois com Deus. Essa aliança é anterior a todas as outras e dela dependem a estabilidade familiar, a justiça, a paz, a harmonia da sociedade... Ela é fator decisivo para o progresso da humanidade. Pela união matrimonial o casal se torna uma só força, um só projeto de vida, uma só luz a iluminar este mundo envolto em trevas
Isto nos convida, então a pensarmos sobre um PLANEJAMENTO NATURAL E SOBRENATURAL DA FAMÍLIA. Nosso exemplo é o próprio Cristo, que se intitulou Caminho, Verdade e Vida. O Caminho de Jesus começou na aliança matrimonial de Maria e José, porque o ventre de sua mãe se abriu à Verdade, que gerou a Vida do Filho de Deus! Cada casal é chamado a ser continuador e anunciador dessa trilogia sobrenatural.
Nesse sentido vemos que o os métodos contraceptivos não atacam diretamente a vida, mas oi ato que é capaz de gerar a vida. Um exemplo disso, é o “coito interrompido” que, mesmo sem usar nada de artificial, não é nada natural.
Todos os métodos contraceptivos não são condenáveis simplesmente por um antagonismo Bem X Mal, mas porque, em sua natureza, promovem a separação “daquilo que Deus uniu” (cf. Mt 19), ou seja, dissociam o amor da vida! É preciso mostrar a verdade. Isto não é condenatório, mas esclarecedor: quem o usa pode ter o perdão de Deus, mas não podemos esconder que são pecados mortais, porque vão frontalmente contra a ordem divina “Uma só carne...”.
O médico Luiz Décourt, em seu escrito “A Dimensão Humanística” em uma citação nos diz:
“Para encontrar uma [a verdade científica], assim como para descobrir a outra [a verdade ética] seria imprescindível o esforço no sentido de libertar completamente o espírito do preconceito e da paixão. Seria forçoso atingir a sinceridade absoluta. É pela capacidade de não-aceitação de muitas verdades aparentes que inúmeras conquistas se fazem. Vede bem que vos aconselho a dúvida, não o ceticismo. O ceticismo nasce da incredulidade. Não deveis ser incrédulos.É nossa obrigação conhecer.”
Vale a pena alguns comentários e observações:
- O casal deve ter essa sinceridade absoluta diante do projeto de Deus para a sua família.
- Verdades aparentes: “é melhor ter pouco para educar melhor”, “o dogma dos dois filhos”, “não é bom trazer mais crianças para sofrer neste mundo tão cruel”
- Um exemplo da dúvida sadia vemos em Nossa Senhora querendo saber: “Como se fará isso, se não conheço varão?”. Ainda há pessoas que não duvidam que podem ter mais!! Que enxergam que é possível viver, não como antigamente, mas como Deus quer!
Vamos a uma adivinhação:
“O que é, o que é que não deixa entrar?” – A contracepção.
“O que é, o que é que não deixa sair?” – O aborto.
“O que é, o que é que não deixa continuar?” – A miséria.
“O que é, o que é que não deixa terminar?” – A eutanásia.
Uma é um degrau para subir à outra. E todas ferem igualmente a vida, maior patrimônio da humanidade. Usar métodos contraceptivos já é um aborto no coração e na vontade. A vida banalizada não tem como seguir bem, nem como terminar com dignidade para que se possa dizer: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.” Por isso, insistimos na visão ampla do planejamento natural e sobrenatural da família.
Um filósofo pagão chamado, Alexandre, dizia: “Platão é muito meu amigo; mas a verdade também o é. E, entre os dois, eu escolho a verdade.” Precisamos resgatar a VERDADE do amor matrimonial, comunhão de vida. Quando se transgride com a Verdade, vive-se na mentira e quando se transgride com o amor, vive-se o hedonismo e à luxúria, quando se transgride com a vida, temos a cultura da morte.
(Notas dos assessores arquidiocesanos Ronaldo e Tatiana)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

SEMANA DO PLANEJAMENTO FAMILIAR - FORMAÇÃO 2

I CONGRESSO NACIONAL DE PLANEJAMENTO NATURAL DA FAMÍLIA
Curtiba, 16 a 18 de outubro de 2009

2ª Conferência: “A Realidade do Planejamento Familiar Hoje e os Desafios para o Planejamento Natural da Família” (Dr. Agostinho Bertoldi)



Por que tão poucos casais usam o método natural? Muitas poderiam ser as respostas.
Primeiramente é preciso fazer a distinção histórica entre CONTROLE DA NATALIDADE e PLANEJAMENTO FAMILIAR. Enquanto o controle da natalidade tem uma conotação imposta e desumana, o planejamento failiar é uma proposta de paternidade e maternidade responsáveis.
Vemos inicialmente uma polarização de sentidos: o primeiro como um controlismo autoritário e o segundo como um liberalismo procriativo, a geração indiscriminada, totalmente controlada por Deus e independente da vontade humana. Um exemplo desse caso é uma reportagem da revista Veja de 1983, com a inscrição na capa: “Perigo da Superpopulação”.
O que dizer diante disso? Ora, o casal não é um executor passivo da ordem de procriar, mas um intérprete inteligente! No pólo, oposto, a idéia neoliberal de controle da natalidade é a de criar um mundo bom para poucos, que tenham um bom potencial de consumo, impedindo que novas vidas venham ao mundo. Esta é a ideologia incutida nos dias de hoje.
A condição da mulher e certas idéias ecológicas vêm contribuindo muito para disseminar a idéia de um número mínimo de filhos. Afirmações do tipo “Gerar é fácil. Difícil é criar!”... ou a apologia a uma família numerosa como algo perdido no passado, numa falsa idéia de “qualidade” oposta á “quantidade”. Mas podemos nos perguntar: O que é, afinal, gerar bem um filho? Aqui nos ajuda o planejamento natural da família.
No livro Minhas Esperanças para a Igreja, Bernard Häring coloca que nossos pais jamais nos pediram que os amássemos. Eles nos amaram primeiro e isso foi o suficiente para que aprendêssemos a amar. Comove a um filho saber que foi responsavelmente desejado.
Graças a Deus ainda há muitos casais que desejam ter filhos. É para eles querem algo de melhor. Isso passa por uma plena consciência do que é a sexualidade conjugal frente ao imediatismo, ao egoísmo, á busca pelo prazer desenfreado, ao materialismo e à coisificação.
Muitas vezes, é em meio a esse emaranhado de idéias confusas que chegam até nós noivos e casais... para que os indiquemos como construir caminhos e gerar vida. Se a contracepção domina o contexto atual, a Igreja tem uma proposta alternativa: o planejamento natural da família, que dá espaço ao diálogo, ao respeito e à vivência sadia da sexualidade. A procriação está subordinada ao caráter unitivo do ato conjugal, pois todo ser humano tem o direito de ser gerado num ato profundo de amor. A procriação depende da responsabilidade do casal e da generosidade em assumir a missão que Deus lhes confia. É lamentável que o egoísmo e a conveniência tenham empobrecido tanto a vivência do matrimônio.
Como começou a sistematização dessa proposta do planejamento natural da família? Um exemplo é uma audiência de Pio XII, em 1951, aos obstetras sobre o que o papa chamou de “métodos dos tempos infecundos”. Outro exemplo é a Gaudium ET Spes que resgata a sexualidade humana enquanto encontro.
A Igreja aconselha e propõe, porque uma reposta caberá à consciência dos casais. Devemos estabelecer com eles uma atitude de compreensão e acolhida, respeitando a gradualidade de cada um. Para isso, talvez precisemos mudar nossa estratégia pastoral. Muitos de dentro e de fora da Igreja só a vêem contra tudo! Precisamos mostrar do que a Igreja é a favor. A favor da comunhão entre o casal, a favor da vida, a favor do conhecimento de si e do cônjuge... A formação do casal como base para a geração dos filhos é fundamental para a paternidade e maternidade responsáveis. Temos nossa parcela nessa tarefa de ajudar a formar casais com um relacionamento saudável, amoroso, fecundo e santo.
Uma premissa é que para gerar bem é preciso antes casar bem. Afinal, os métodos de planejamento natural da família são, como a terminologia indica, apenas o método, o meio de viver a responsabilidade na geração da vida.
Vejamos alguns aspectos práticos do planejamento natural da família:
- Uma característica singular é a ativa participação dos homens.
- A Igreja precisa expandir os serviços de formação e aconselhamento para dar meios e subsidio ao casal para tomar sua decisão
- Os métodos naturais não devem ser apresentados juntamente com os outros, como se a proposta fosse uma escolha aleatória. Não gastemos tempo criticando os métodos que são contraceptivos, mas usemos bem as oportunidades para divulgar a proposta do planejamento natural da família.
- Os métodos naturais são apenas um aspecto do planejamento natura da família que engloba, na verdade, uma proposta de vida.
(Notas dos assessores arquidiocesanos Ronaldo e Tatiana)

SEMANA DO PLANEJAMENTO FAMILIAR - FORMAÇÃO 1

I CONGRESSO NACIONAL DE PLANEJAMENTO NATURAL DA FAMÍLIA "Gerar a Vida com Responsabilidade"
Curtiba, 16 a 18 de outubro de 2009


Conferência de Abertura: “Gerar a Vida com Responsabilidade: Bases Antropológicas” (Prof. Dr. Valdir Reginatto)


A família, nos dias de hoje, mais do qualquer outra instituição, tem sido posta em xeque. Muitas acabam ficando confusas com relação aos seus deveres. Outras estão impedidas pela justiça de desempenharem seu papel.
Devemos pensar não apenas na vida, mas na vida eterna. Este deve ser o nosso maior tesouro. O ser humano tem a possibilidade de gerar a vida, mas não de criá-la. Não temos esse poder. É respeito ao poder hierárquico, que a nós é confiado. O homem precisa se re-posicionar como aquilo que é: criatura. Não podemos “querer ser como deuses”. Este pecado já custou o Sangue precioso de Cristo.
Nesse caminhar, estaremos indo contra a ordem divina: “Crescei e multiplicai-vos.”. É preciso crescer enquanto pessoa. Na Evangelium Vitae João Paulo II recorda como o homem é chamado a participar da vida de Deus, transcendendo o mundo material. Não tenhamos medo de crescer! O que ama verdadeiramente cresce e torna-se agente multiplicador. Toltstoi diz: “A felicidade só pode existir quando compartilhada.”
A principal conseqüência do amor é a vida. Gerada, não por mérito do homem, mas por graça divina. Deus mesmo se afirma como “aquele que é”, a plenitude do “ser”, do “viver”. Deus é o Deus da vida e dos vivos. E a vida divina é o fim para o qual cada homem foi projetado.
Não somos donos de nada e, quem não é dono, não pode fazer o quem bem entende com aquilo que lhe foi confiado. Somos portadores da vida e dela precisamos prestar contas ao seu Autor. Como cuidar desse dom gratuito que é a vida e como cuidar do processo de gerar? Os noivos são chamados a contribuir com essa missão. Cabe-nos administrar, cuidar da vida, enquanto seus portadores. Nem mesmo aos anjos, mas somente aos anjos foi dado esse magnífico direito e dever: a geração da vida e a continuação da criação.
Como sermos responsáveis por tão precioso dom? Primeiramente, entendamos que responsabilidade exige consciência e capacidade de se comprometer. Tornar um ser responsável é a principal meta educacional. Os pais são os primeiros educadores nesse sentido, até que os filhos possam chegar a um estágio de maturidade tal que possam educar-se a si mesmos.
A partir desses dois pilares da responsabilidade conscientização e capacidade. Uma conscientização com relação aos mecanismos biológicos do ciclo ovulatório da mulher parecem ter trazidos mais problemas que responsabilidades na transmissão da vida. É preciso fazer um bom uso da ciência. Não podemos desvincular o amor dos cônjuges da geração da vida.
A própria natureza favorece a paternidade e maternidade responsáveis e permite conciliar sexo e castidade conjugal, que é a base antropológica para gerar a vida com responsabilidade. Ora, o homem não é um mero animal, cegamente guiado por seus instintos. Assim, o ato conjugal é uma manifestação do amor de Deus. Na castidade conjugal não se recusa o compromisso da vida e nem se recorrem a compensações ilícitas. O domínio das paixões deve ser um sacrifício de amor.
Separar o prazer da vida é um erro de método:
Pílula – é fazer amor sem fazer filho
Inseminação – é fazer filho sem fazer amor
Pornografia – é desfazer o amor
Aborto – é desfazer o filho

Nada disso condiz com a natureza humana. A mentalidade da contracepção é bem diferente do conhecimento e bom uso dos ritmos naturais do ciclo ovulatório da mulher. Esse último gera diálogo, afetividade, respeito, comunhão, uma sexualidade sadia, enfim.
A vida é um valor maior e anterior a todos os outros valores, inclusive á liberdade. Nada mais cristão que optar sempre pela vida, mesmo em meio a situações adversas. Com as tecnologias nascem novas formas de se agredir o ser humano e justificam-se verdadeiros crimes em nome de uma cultura da “liberdade” humana. Um exemplo disso é o aborto sendo usado como regulador da natalidade.
Preocupemo-nos mais em viver a vida e menos em querer explicá-la a todo o custo. Bejnamin Franklin dizia que: “Achar que o mundo não tem um criador é achar que o dicionário é produto de uma explosão numa tipografia.”. Na ciência é preciso guardar as proporções, salvaguardando a nossa própria natureza. Sermos bons portadores da vida é o nosso desafio.

(Notas do Assessores Arquidiocesanos Ronaldo e Tatiana)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

DIVULGANDO O SETOR PRÉ-MATRIMONIAL


No dia 19, segunda-feira, os assessores arquidiocesanos para o Setor Pré-Matrimonial, Ronaldo e Tatiana, estiveram no programa da Pastoral Familiar na Rádio Catedral (FM 106,7), "Conversa em Família".

Entrevistados pelo apresentador Antônio Alfredo, o casal pode falar sobre os pontos principais do último Congresso arquidiocesano, sobre a elaboração e as expectativas quanto as propostas para o trabalho no setor pré.
O casal Antônio Alfredo e Vera se colocam sempre à disposição das Pastoral Familiar para a melhor divulgação e cresimento do nosso trabalho.
O programa "Conversa em Família" vai ao ar todas as segundas-feiras, a partir das 21h10.
E para quem ficou interessado em conhecer melhor o projeto para o Setor Pré-Matrimonial ou adquirir o nosso subsídio e os demias materiais da Pastoral Familiar, entre em contato pelo e-mail pastoralfrj@gmail.com nou acompanhe na nossa agenda:
24/10 (manhã) - Paróquia Santa Rita dos Impossíveis (Ramos)
07/11 (manhã) - Ed. João Paulo II (Glória)
29/11 (tarde) - São Pedro d´Aldeia (Região dos Lagos)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

MATERIAL PARA BAIXAR


Conforme as indicações do subsídio PROJETO PARA O SETOR PRÉ-MATRIMONIAL estamos começando a disponibilizar diversos arquivos com material de apoio e sugestões para o Setor Pré-Matrimonial. Basta clicar nos nomes dos arquivos na seção "download" da barra lateral e salvar o material em formas de textos, figuras e slides.
Neste primeiro momento disponiblizamos:

Para o trabalho com crianças e adolescentes:
- O mapa do tesouro - para ser usado com as crianças pequenas, decifrando a mensagem secreta, se possível com a ajuda dos pais.
- O dado do amor - pode ser impresso, recortado e montado. A proposta é que cada criança ou adolescente jogue o dado a cada manhã e viva, com seus familiares e amigos, uma das muitas faces do amor, durante todo aquele dia.

Para o trabalho com os jovens:
- Uma apresentação de slides para formação dos agentes da Pastoral Familiar que já trabalham ou estão se preparando para trabalhar com a questão do namoro. Pode ser adaptado para ser usado também com os jovens.

Para o trabalho com os noivos:
- Um modelo de ficha de inscrição para o EPVM

Em breve teremos mais material! Aguardem!

domingo, 11 de outubro de 2009

LANÇADO O PROJETO PARA O SETOR PRÉ-MATRIMONIAL


No Congresso Arquidiocesano da Pastoral Familiar, dia 10 de outubro, foi lançado o subsídio do PROJETO PARA O SETOR PRÉ-MATRIMONIAL. O livro contém considerações teóricas e sugestões práticas para ajudar as equipes a incrementarem o trabalho de forma abrangente (englobando desde o acolhimento às gestantes até os noivos) e articulada (integrada com as demais pastorais e movimentos). Ele é fruto do trabalho da Comissão de reunir as mais variadas contribuições fornecidas gentilmente pelas paróquias da Arquidiocese e coordená-las com as orientações do Magistério da Igreja, sob a guia do nosso Bispo Animador, D. Antônio Augusto Dias Duarte.

O livro poderá ser adquirido em todos os eventos e reuniões promovidos pela Pastoral Familiar e vários materiais estarão disponíveis para download na barra lateral deste link do Setor Pré-Matrimonial.

As comunidades empenhadas em fazer crescer este setor já podem começar a se estruturar para a implementação gradual do Projeto a partir de 2010, que será um ano de avaliação e experimentação.

Rezemos e nos esforcemos para que a formação das novas gerações para assumirem a vocação à vida matrimonial seja cada vez mais completa e eficaz.