sexta-feira, 5 de outubro de 2012

RESULTADOS DA PESQUISA DO PRÉ-MATRIMONIAL (2)

Divulgamos agora os dados da PESQUISA DA REALIDADE feita pelos agentes do Curso do Pré-Matrimonial em Copacabana. Confira esses dados e, an semana quevem, divulgaremos os números gerais das duas pesquisas.

COPACABANA
(22 de setembro de 2012)
409 entrevistados

PERGUNTAS 1 E 2 (FASE REMOTA) – 156 entrevistados
1. As crianças de hoje, em geral, crescem com uma concepção positiva de família?
Sim - 42 - 26,92%
Não - 69 - 44,23%
Depende - 45 - 28,85%

2. Se hoje parece haver maior facilidade em namorar, por que tantos relacionamentos não dão certo?
Observações registradas pelos agentes
Crescimento precoce e imaturidade na vivência da sexualidade – falta de respeito entre as pessoas – saída da mãe do seio familiar para servir o mercado de trabalho, o que está prejudicando a educação dos filhos – facilidade demais para se namorar – as pessoas desistem facilmente dos relacionamentos – falta de confiança e compromisso – relacionamentos virtuais acabam prejudicando os relacionamentos reais – o namoro deixou de ser namoro de verdade por causa da convivência sexual precipitada

PERGUNTAS 3 E 4 (FASE IMEDIATA) – 159 entrevistados
3. Existe diferença entre morar junto e casar na Igreja?
Sim - 91 - 57,23%
Não - 58 - 36,48%
Depende - 10 - 6,29%
4. Ainda vale a pena casar nos dias de hoje?
Sim - 120 - 75,47%
Não - 28 - 17,61%
Depende - 11 - 6,92%

Algumas observações registradas sobre as perguntas 3 e 4:
- Hoje em dia as pessoas não sabem o que é compromisso.
- “Casar na Igreja ainda é o sonho de muitas garotas.”
- Casar é uma responsabilidade diante de Deus.
- A bênção de Deus faz a diferença, dá uma segurança maior.
- Depois do “boom” do divórcio, parece que está havendo uma revalorização da família.

PERGUNTAS 5 E 6 (FASE PRÓXIMA) – 94 entrevistados
5. Por quanto tempo uma pessoa que vai casar na Igreja deveria se preparar antes?
Algumas observações registradas:
- Uma pessoa disse que não era preciso nenhum tipo de formação
Outras respostas:
24 dias – 3 meses – 8 horas – 30 horas – 3 anos – a vida toda – 6 meses – duas semanas – 2 anos – 1 semana – 10 anos – 3 anos – desde o início da infância – 1 ano
– Uma pessoa disse: “já estou me preparando há 12 anos e ainda não estou preparado!”

6. Que temas seriam importantes para este tipo de preparação?
Algumas observações registradas:
Família – respeito (muitas pessoas mencionaram este tema) – importância do casamento – diálogo – aconselhamento – ajuda e companheirismo – planejamento orçamentário – conhecimento/ compreensão e aceitação do outro – educação dos filhos (inclusive na vida cristã) – fidelidade – planejamento familiar – sexualidade – ter certeza do matrimônio – religião – causas de separações e brigas - Psicologia




terça-feira, 2 de outubro de 2012

RESULTADOS DA PESQUISA DO PRÉ-MATRIMONIAL

Começamos, hoje, mostrando os resultados da pesquisa na Praça Seca. A experiência das pesquisas nas ruas foi elaborada de uma forma muito simples, sem pretensões estatísticas absolutas, mas apenas para servirem de um parâmetro bem concreto de avaliação dos desafios do Setor Pré-Matrimonial da nossa Arquidiocese.

PRAÇA SECA
(15 de setembro de 2012)
277 entrevistados

PERGUNTAS 1 E 2 (FASE REMOTA) – 110 entrevistados

1. As crianças de hoje, em geral, crescem com uma concepção positiva de família?

Sim - 43 (39,09%)
Não - 27 (24,55%)
Depende - 40 (36,36%)

2. Se hoje parece haver maior facilidade em namorar, por que tantos relacionamentos não dão certo?
Observações registradas pelos agentes
Facilidade “demais” que acaba gerando desconfiança nos relacionamentos – vulgaridade que atrapalha os relacionamentos verdadeiros – falta de maturidade – precipitação – muitos “namoram por namorar” – falta de fé, falta de religião – banalização do sexo – falta a presença marcante e a orientação por parte da família

PERGUNTAS 3 E 4 (FASE IMEDIATA) – 109 entrevistados

3. Existe diferença entre morar junto e casar na Igreja?

Sim - 56 (51,38%)
Não - 43 (39,45%)
Depende - 10 (9,17%)
4. Ainda vale a pena casar nos dias de hoje?

Sim - 71 (65,14%)
Não - 31 (28,44%)
Depende - 7 (6,42%)

Algumas observações registradas sobre as perguntas 3 e 4:
- O custo do casamento na Igreja é muito alto.
- As pessoas não tem mais o compromisso, por isso não selam sua união perante Deus.
- Casar não vai definir se você vai ser feliz ou não.

PERGUNTAS 5 E 6 (FASE PRÓXIMA) – 58 entrevistados

5. Por quanto tempo uma pessoa que vai casar na Igreja deveria se preparar antes?
Algumas observações registradas:
- Com periodicidade de uma vez por semana, durante : 1 ano – 3 anos – 2 anos – 10 anos
- De 1 mês a 5 anos (Média de 3 a 4 anos) – algumas dessas respostas foram de casais casados que concluíram isso
- 3 dias para quem é religioso e 5 anos para quem não frequenta a Igreja
- 1 fim de semana porque o dia-a-dia é muito corrido
- Deveria haver uma catequese para os noivos durante um longo período, uma vez por mês
- Para quem já é católico o tempo de namoro já seria uma preparação
- A maioria respondeu dois meses, e no máximo 4 anos
- As pessoas casadas deveriam passar por “reciclagens” periódicas
- Uma jovem apontou que, se tivesse tido orientações, jamais teria ido morar junto com o namorado, num relacionamento que acabou em menos de um ano. Hoje ela, mora de volta com a mãe e um filho que teve com o rapaz.
6. Que temas seriam importantes para este tipo de preparação?
Algumas observações registradas:

Convivência – diálogo – Palavra de Deus – Renúncia – educação dos filhos na fé – Família (estrutura familiar) – finanças – compatibilidade – planejamento familiar – integração familiar – respeito – responsabilidade - superação

domingo, 30 de setembro de 2012

RELATÓRIO DA AVALIAÇÃO DO SETOR PRÉ-MATRIMONIAL

Durante o III Curso Arquidiocesano de Formação de Agentes do Setor Pré-Matrimonial, os agentes tiveram um momento reunidos em grupos para avaliarem o Setor Pré-Matrimonial. Eles puderam apresentar e debater quais têm sido suas maiores dificuldades e conquistas, o que precisa ser mais trabalhado, o que precisa melhorar, enfim.

Vejamos alguns pontos principais registrados e que teremos, todos juntos, como metas a serem atingidas:

1- Precisamos melhorar na unidade e cooperação mútua entre as comunidades e buscar maior apoio dos párocos, esclarecendo o que é a Pastoral Familiar e que trabalhos pode vir a desenvolver.

2- Ainda há resistências quanto às mudanças propostas, mas as melhorias devem ser conquistadas aos poucos e primando sempre pela qualidade.

3- É necessário que a Arquidiocese estipule um prazo para que todos os EPVMs sejam unificados com relação ao cumprimento do tempo de duração e da aplicação dos temas.

4- Criar um mecanismo de aproximação e maior integração entre as paróquias de uma mesma forania: montagem de planejamento conjunto para terem atividades integradas, como o Encontro de Namoro Cristão, por exemplo, e as épocas e locais em que ocorreriam os EPVMs, podendo preferivelmente se fazer um rodízio.

5- Além da integração entre as paróquias da forania também é preciso haver integração maior entre todas as pastorais com a Pastoral Familiar dentro de cada comunidade. A integração facilita e otimiza o trabalho e ajuda a suprir a falta de agentes.
6- Esclarecer como fica a preparação para a santificação de união de casais que já vivem juntos e querem receber o sacramento do matrimônio. Eles merecem uma atenção por sua realidade diferenciada dos casais de noivos que buscam o EPVM. Várias paróquias têm boas experiências que podem ser partilhadas. Durante a realização do Projeto do Pré-Matrimonial em 2009, este trabalho foi re-direcionado por uma questão de divisão de tarefas, para o Setor Pós-Matrimonial, mas acabou não constando do seu próprio Projeto.

7- Investir sempre mais na formação dos agentes para que cada comunidade possa ter palestrantes capacitados, cristãos que testemunhem solidamente a sua fé na vocação matrimonial e familiar. Para tal, estimular o processo de formação também nas próprias paróquias, orientando grupos de estudo mensais, por exemplo.

8- Cuidar não só da formação doutrinária, mas também espiritual dos agentes do Pré-Matrimonial e da Pastoral Familiar em geral.

9- Integração entre as atividades dos setores Pré, Pós e Casos Especiais. Por exemplo, em integração com o Pós-Matrimonial, encontros com pais dos noivos, com os pais da Iniciação Cristã; um trabalho de conscientização dos filhos quando o pai ou mãe contrai uma segunda união, juntamente com o Setor Casos Especiais.

10- Orientar a ampliar as equipes que já fazem ou querem começar a fazer o trabalho de auxílio na celebração do sacramento do matrimônio. Algumas sugestões são: agendar um atendimento personalizado aos noivos que vão se casr na paróquia agendando um dia para escolherem juntos as músicas, as leituras e a postura durante a celebração do sacramento. Recepcionar os noivos, pais e padrinhos no dia do Sacramento e auxiliar na cerimônia. Muitas paróquias também dão aos noivos uma Bíblia, entregue pelo Celebrante durante o cerimônia. É o presente da Igreja para a nova família cristã.

Vemos que sonhamos sonhos possívieis de serem realizados com nosso empenho e com a ajuda da graça divina! Todas essas sugestões e comentários serão repassados a Dom Antonio Augusto, nosso bispo animador e também a toda comissão arquidiocesana para análise e planejamento das nossas ações para 2013, para já começarmos a aparar as arestas.
Se puder, copie estes pontos, leve para sua reunião de equipe, leiam juntos, partilhem, debatam, nos ajudem encaminhando soluções, enriquecendo as reflexões... Não basta reclamar: é preciso começar a mudar!
Enquanto isso, queremos agradecer de coração a todos os que se doam (muitas vezes com "sangue, suor e lágrimas")  pela evangelização das famílias. Continuem acreditando e lutando por este ideal!
E continuem conectados conosco porque nossa próxima postagem será o resumo com os dados estatísticos e comentários da pesquisa realizada nas ruas durante as duas ediçõs do Curso do Pré-Matrimonial. Está curioso?? Então, não perca!

sábado, 29 de setembro de 2012

ESCUTATÓRIA

ESCUTATÓRIA ( Rubem Alves)

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de “escutatória”.
Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular
Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso não ter filosofia nenhuma”. Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma”. Dai a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio.
Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio [...], abrindo vazios de silêncios, expulsando todas as ideias estranhas. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Ai, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades. Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou... Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado. Segunda: Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade, eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou. Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.
O longo silêncio quer dizer: ” Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.” E assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E ai, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio.
A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Ai, livres do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.
********************
Nota: Rubem A. Alves nasceu em Boa Esperança – Minas Gerais – em 1933. Estudou música e, teologia. Foi pastor numa igreja de Lavras, onde, de l958 a l964, conviveu com o povo, vivendo dores e alegrias dos outros. ” Assim vivem pastores protestante” e, imagino, sacerdotes católicos.” Fez seu doutoramento em Princeton, Estados Unidos. Escreveu diversos livros e continua a escrever e a fazer palestras. Ele, acima de tudo, é um poeta. Num livrinho precioso. Intitulado “O que é Religião” - com mais de dez edições -, ele diz concordar com Octávio Paz que escreveu :”A tarefa do intelectual é fazer rir pelos seus pensamentos e pensar pelos seus chistes”.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Orientações Práticas para a Escuta e o Acolhimento

A riqueza e a beleza do Espírito Santo são verdadeiramente sem igual. Nos dois cursos do Pré-Matrimonial, o tema do acolhimento foi desenvolvido de formas diferentes por Dom Antônio (cuja palestra está na postagem anterior) e pela csal Cacilda e Laércio, do Grupo "Mãos Dadas" da Paróquia São Francisco de Paula (Barra). Ainda dentro do tema do aconselhamento disponibilizamos as orientações práticas cedidas pelo casal, de forma adaptada a nossa realidade.
Fica, assim, esta proposta de trabalho para acolhermos e ouvirmos so jovens, que, muitas vezes, ficam perdidos como "ovelhas sem pastor."
  
As atitudes fraternas da escuta e do acolhimento, enquanto serviço religioso, precisam estar alicerçadas na Palavra de Deus e no cultivo da espiritualidade profunda, isto é, na intimidade com Deus, pois é o seu Espírito que nos inspira.
1. Nossa missão é ouvir com a disponibilidade de irmãos-amigos. Não somos terapeutas. Estes profissionais poderão ser acionados em tempo oportuno, se julgado necessário.
2. Antes de ouvir, faça uma oração inicial para que o Espírito Santo ilumine quem auxilia e infunda boas disposições no consulente.
3. Ouvir com atenção significa estar presente sem se dividir com o que se passa ao redor, com celular desligado e sem se distrair-se com outras preocupações.
4. É importante chamar a pessoa pelo nome, sem usar apelido. Isto o lembrará a ficar sempre atento à singularidade de cada sujeito e de cada caso.
5. Durante a conversa, não force interrupções que não sejam oportunas.
6. Evitem-se perguntas ditadas por mera curiosidade. Questione apenas sobre o que for relevante para a busca conjunta pela solução do problema.
7. Manifestar interesse e dar acolhimento não significa invadir e tentar convencer a pessoa de que já equacionou o problema e já sabe a solução. Esta deve ser descoberta pelo próprio consulente.
8. Procure identificar as questões principais junto com o irmão de modo que ele próprio encontre o melhor caminho. Em vez de diagnosticar, faça perguntas, cujas respostas possam abrir horizontes e possibilidades.
9. Nunca apele para a vontade de Deus, atribuindo a ELE o que não lhe é imputável.
10. Terminar o encontro com uma pequena oração, que pode incluir agradecimento, pedido de luz etc. Sem nenhuma obrigatoriedade, pode-se entregar uma pequena lembrança, que servirá de referência.

Agradecemos mais uma vez à gentileza e riqueza deste material que nos foi repassado por Cacilda e Laércio na Praça Seca, que complementa o que foi falado por Dom Antonio no curso de Copacabana. E nossa próxima postagem, atendendo a pedidos, será o texto da "Escutatória", de Rubem Braga, que fala sobre a arte de saber ouvir. Acompanhe-nos!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Palestra de Dom Antonio sobre aconselhamento

Conforme prometido, trazemos o primeiro material fruto do III Curso para agentes do Pré-Matrimonial. A palestra sobre aconslehamento do dia 22, em Copacabana, foi com Dom Antonio Augusto. Veja como foi:

Em nossa família, ambiente de trabalho e na pastoral há muitas ovelhas sem pastor. Os nossos caminhos tem curvas, montanhas, estradas planas... todos nós procuramos chegar a um destino. Sabemos que nosso destino final é o céu, mas em cada etapa da vida também temos pequenas metas. O importante é não sairmos do caminho. Mas há muitas pessoas desorientadas como ovelhas sem pastor.
E para sermos bons pastore, precisamos ser primeiramente boas ovelhas. Quem de nós nunca passou pela situação de precisar de alguém que nos escutasse? E quem de nos nunca pediu um conselho?
Gostaria de trabalhar a partir das quatro grandes interrogações da vida: Quem? Como? Por quê? Para que? Uma primeira grande desorientação é sobre a nossa própria identidade.
1. Quem sou eu?
2. Como me vejo?
3. Por que existo?
4. Para que existo?
Esses são os questionamentos mais profundos da nossa vida. Ora, só podemos ser bons pastores, se nós não formos ovelhas perdidas. Essas quatro grandes indagações precisam já ter sido respondidas em primeiro lugar, por nós mesmos.
 A primeira pergunta “Quem sou eu?” não precisa de “acidentes” como resposta, do tipo: sou médico, professora, dona de casa, sou vaidoso, generoso, etc... A resposta a essa pergunta é simples: eu sou um dom! Um dom, não um “dono”, pois não comandamos nada. Eu sou um dom de Deus, um presente de Deus para o mundo. Quem ainda não descobriu isso é ovelha perdida. Quando alguém nos apresenta um problema podemos aconselhar coisas úteis: “Controle-se.”, “Procurem uma terapia de casal.”, etc. Nada disso vai adiantar se essa pessoa não se descobrir como um dom.
Quantas vezes procuramos rotular as pessoas por traços que elas tem (é raivosa, é egoísta, é meu vizinho...), não, isso não é a nossa identidade. Somo imagem e semelhança de Deus que é amor. Como eu sou? Posso refletir esse amor no meu agir. Se eu sou um dom, eu tenho valor. Quantas pessoas se casam sem se conhecerem a si mesmas como realmente são. Se eu não descobri o meu valor, como serei capaz de reconhecer o valor do outro.
Devemos nós, ajudar os outros a perceberem que vivem conforme os seus valores. Uns vivem uma vida meramente consumista ou materialista, outros acham que valem por aquilo que fazem... Ou você pode descobrir que você vale aquilo que você é a não aquilo que você tem. O jeito que eu sou vai depender dos meus valores. Há pessoas que se identificam com aquilo que fazer e são tecnicamente muito competentes, mas humanamente são medíocres.
Quem quer saber porque existe, vai achar a resposta na sua vocação. Em 1980, João Paulo II disse em Curitiba: “Que quem ama, chama!”. Porque Deus nos ama desde toda eternidade, nos chamou à vida e a um caminho, uma direção de vida. É a vocação. A vida tem dois grandes tempos: o tempo de buscar a vocação e o tempo de viver a vocação. A vocação (inclusive ao matrimônio) não é escolha pessoal, não. É um chamado de Deus! Se eu sei que sou um dom, vou buscar um outro dom para mim. É como uma roupa sob medida feita pelo grande alfaiate que é Deus. É preciso ter uma certeza moral da vocação: Deus já nos dá sinais iniciais de que esta é a minha vocação, é o caminho que devo seguir na minha vida.
A descoberta da vocação, do chamado que Deus me faz, deve ter grande empenho na nossa vida. E na pedagogia divina a vocação normalmente se descobre na juventude. Muitos dos sinais da vocação dos filhos, chega pelo testemunho dos pais, especialmente na generosa distribuição da vocação matrimonial. Por isso, saiu no jornal que estamos na geração “nem, nem nem”: “nem estuda, nem trabalha, nem nada!”.
E para que eu existo? Para desempenhar uma missão. Cristo nos envia, a palavra: “missa” quer dizer “envio”. Eu tenho um papel a cumprir no estado de vida a que sou chamado. Tenho meu papel a cumprir na Igreja e no mundo. Quem não se interroga a partir destes quatro questionamentos. Essas são as raízes do grandes problemas pessoais, familiares e sociais. As pessoas se dariam muito melhor se tivessem consciência de quem são.
Quantas vezes damos mais valor às coisas que às pessoas. As baixelas de prata são guardadas e limpas com cuidado, mas como temos tratado as pessoas? Assim, também há tantos profissionais competentes nas suas empresas, mas que não tem manejo pastoral. Que pena... São pontuais no trabalho, mas sempre chegam atrasados para o jantar em casa... Não valorizam sua vocação matrimonial. Vivemos numa cultura de receitas. Em todos os sentidos, vejam quantas farmácias há em um quarteirão.
Os bons conselhos de nossa parte precisam vir a partir destas quatro realidades. Não existem receitas prontas para a felicidade. Mas se nos perguntamos o que falhou, talvez, de maneira bem simples possamos dizer: “Faltou alguém que desse um bom conselho!”. Se eu não existisse, não existiriam meu cônjuge, meus filhos... Eu existo para os outros. O Bom Pastor leva suas ovelhas para campos verdejantes, diz o Salmo 23. E aqui temos as quatro colunas para nos aprofundarmos e podermos aconselhar os outros. Assim, poderemos ser bons pastores. É útil darmos testemunho, mas muitas vezes, não é necessário.
Primeiro, precisamos ter boa formação da personalidade. A questão do aconselhamento poderia se trabalhada de muitas formas, mas esses quatro pontos parecem ser a base para tudo mais o que pode vir depois.

E nossa próxima postagem será com as dicas práticas dos serviços de acolhida e escuta trazidas no curso do dia 15 pelo casal Laércio e Cacilda, do Grupo Mãos Dadas, da Paróquia São Francisco Xavier. Fiquem ligados! 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Curso do Pré-Matrimonial (2)



Neste final de semana, aconteceu a segunda e última edição do ano de 2012 do Curso Arquidiocesano de Formação de Agentes do Setor Pré-Matrimonial. Ao todo 35 paróquias estiveram representadas, 18 na Praça Seca, nos dias 15 e 16, e mais 17 nos dias 22 e 23 em Copacabana. Ainda é pouco para ua Arquidiocese tão grande como  nossa... ano que vem esperamos atingir muito mais!
E por falar em Copacabana, os agentes começaram o dia com a pesquisa da realidade, saindo pelas ruas do bairro (e até na beira da praia!), entrevistando as pessoas sobre questões de amor, relacionamentos, namoro e família. Depois todo material foi recolhido e foi feito um debate que culminou com uma avaliação do que o Setor Pré-Matrimonial tem feito até agora, nossos maiors desafios e conquistas e como podemos crescer mais.
Na parte da tarde, Dom Antonio Augusto, com sua vasta experiência com direção espiritual, refletiu sobre a importância do aconselhamento. Em seguida, Tatiana e Ronaldo apresentaram dicas práticas do Grupo Mâos Dadas (da Paróquia Sâo Francisco de Paula - vicariato Jacarepaguá) sobre esta prática. Terminamos a tarde, aos pés do nosso Bom Pastor, com um momento profundo de adoração ao Santíssimo Sacramento, na Capela.

E no domingo, estávamos de volta à Paróquia Nossa Senhora de Copacabana que tão bem recebeu a todos, para aprendermos juntos sobre o Direito Matrimonial Canônico voltado para a formação dos noivos. Tatiana e Ronaldo, assessores arquidiocesanos, repassaram o conteúdo dos materiais preparado por Dra Sylma Dantas, juíza de Direito Matrimonial Canônico, e por Maria José Macedo, da secretaria executiva da Pastoral Familiar da Arquidiocese, pós-graduada em Direito Matrimonial, e com a presença de Fernando e Conceição, coordenadores arquidiocesanos da Pastoral Familiar.

E, ao final, ainda tivemos a chance de nos confraternizarmos no delicioso e animadíssimo almoço italiano promovido pel Paróquia, num colégio próximo.
Vejam mais fotos na parte final do nosso blog!
Pelas avaliações recolhidos nos dois cursos deste ano, já temos um parâmetro bom do que podemos melhorar ainda mais para 2013. Afinal, este curso acabou e já estamos pensando no próximo! Buscando trazer novos temas e atividades para nosso programa de formação permanente. E, no ano que vem, contemplaremos os vicariatos oeste, leopoldina e urbano como locais escolhidos para a realização do curso (que é extensivo a todas as paróquias da Arquidiocese - lembramos!).
As dicas sobre o aconselhamento trazidas pelos casal Cailda e Laércio, o resumo da palestra de Dom Antonio, os resultados finais da pesquisa realizada nas ruas e o relatório final dos debates em grupos, avaliando o Setor Pré-Matirmonial, tudo isso será colocado aqui, no nosso blog do Pré-Matrimonial ao longo detsa semana. Fique conectado com a gente!